quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Pedido de uma filha - mãe

Mãe, arranja-me a placenta
Pra eu me sentir tua filha?
Mãe, deixa eu passar mais
9 meses dentro da tua barriga ?

Mãe, o teu sangue disse
Que ao me amar tu ficas triste
Mãe, eu soube pela a tua alma
Que as nossas brigas nos levam a nada.

Mãe, fomos juntas por um cordão
Ficamos presas num mesmo corpo
Fui teu embrião.
Deixa eu ser a tua filha

Eu vou ser uma boa menina
Ainda te cabe coração?

Mãe, eu não tive escolha 
Eu te amo e sempre vou amar.
E você escolheu se ausentar 
Em amor,em vida,e como minha senhora.

Mãe, o carinho é detalhe do corpo
E eu sempre careci de detalhes 
Em tudo, da alma, carne ao osso. 

Mãe, a minha infância 
Mandou avisar que a maternidade
Deixou saudades. 
Mãe, isso não é aborrecência 
São verdades tuas, impuras
A mais clara clarividência. 

Mãe, vamos de início.
Deixa eu voltar pra tua placenta 
Pra eu me sentir tua filha?
Mãe, vamos resolver ,de início.
Deixa eu passar mais
9 meses dentro da tua barriga ?

A poesia e o amor

A poesia ajuda na cura do amor 
Ou é assim, digamos, ao contrário? 
Não sei mais o que me parece 
Ser certo ou errado. 
Tá tudo assim, complicado. 

A poesia ajuda na cura do amor 
Ou é assim, digamos, ao contrário? 
Busco a palavra pra esquecê-lo 
Mas só fortifica o nosso (passado) elo. 

A poesia ajuda na cura do amor 
Ou é assim, digamos, ao contrário?
Tento arrumar no rascunho do papel 
O que a mente deixou bagunçado 

Talvez eu não saiba mais dizer 
Mas quem precisa de dizeres 
Se as palavras do coração 
Podem virar documento, 
Ainda que sem noção
Sem argumento
Ponto e 
Fim

As palavras não saem de mim
Elas perpetuam o meu ser
Alem de Não, no papel; 
Elas não vetaram o seu sim 
Assim como ele fez.

Poesia e Certidão 
Um pegou a caneta 
E esqueceu o coração.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

B.U.L.L.Y.I.N.G

Jaden, obrigada por fazer o campo de tortura a sala de aula
Você era o domador e eu a criatura dentro da jaula.
A criatura cresceu fera, as palavras más de ontem
São a minha carne fresca, vem eu tô a espera
Anda, vem alimentar a minha fome.

Gerardo, eu lembro ta guardado cada gargalhada
Servir de bobo de corte era a minha tarefa escolar diária.
O recreio era me ver amedrontada.

Lúcio, eu lembro ta guardado cada gargalhada
Por todos esses anos foram os meus fantasmas
Tua acidez na voz , não sai, tá gravada.

François, eu sangrei a cada palavra dita
Gorda, feia, cabelo ruim á esquisita
Todos os dias, e no fim do semestre
Toda costurada, olhei pra aquelas feridas
Que não cabiam mais nas minhas lágrimas.

Caio, chutou, bateu, quebrou, cuspiu
Fez seu território de macho valentão
O teu ego era pôr todos no chão
Na segunda série, antes de a professora explicar
Eu já sabia o que era imperador,
Um ambiente controlado pela a dor.

Érica, eu quis muito ser sua amiga
Fiz de tudo pra ser aceita no grupinho
Mas eu era muito estranha pra tá perto de vocês
Não é assim? Foi assim,
Fazer eu me sentir menos de mim
Era mais divertido.
Ficar com todos os meninos
Mexer com os esquisitões
Foi o teu império.

Carla, mais uma do clube
A tua beleza era perseguir
Nas gargalhadas os meus passos.

Lorena Barreto, o 3 ano foi um bom reinado?
Popular por fazer da língua uma venenosa faca
Mal pude contar todas as vezes que fui esfaqueada
Do colégio pra casa sangrava.
Minha alma de tanto perder vida
Comprometeu a minha saúde
As palavras viraram tatuagem na mente.

O bullying é um prato se come frio
As energias tão acumulando
Amanhã vai ser um outro dia
Um dia ruim pra quem mexeu comigo.







quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Indecisão

Indecisão

Você não me diz que me quer mais vem
A indecisão é pra quem não tem.
Coragem de dizer pra um alguém
Um alguém como eu que te amei.

Você diz um sim querendo um não
Do meu cansado coração
Que já cansou de ouvir seu perdão
Um perdão cheio de indecisão.

Ah! A não dá, pra te amar
Se você não sabe
O que vem a ser o amor.

Meu amor
Vem pra mim
Nos dê uma chance
Não o fim.
Meu amor
Vem pra mim
Nos dê uma chance
Pra reparar essa indecisão.

Profunda

Profunda

É muto sentimento
Pra pouca lágrima
É muita arte presa
Pra uma só alma.

As poucas lágrimas
Que ainda me restam
Eu me engasgo
Melancolias espalhadas
Ao meu redor se fecham
No meu quarto.

Os poucos gritos
Que ainda reverbero
O vento se assusta
A intensidade que sinto
O corpo diz: "Não aguento!"
Nessa guerra mal se pode suportar uma luta.

É muito verso
Pra pouco rascunho
É singular o bastante
Pra um plural absolutamente pouco.
Sentimento não traduz corpo.

Profunda demais pra não se afundar
Presa dentro de si
A minha sentença, é seguir.

É muito sentimento
Pra pouca lágrima
É muita arte presa pra uma só alma.